sexta-feira, 28 de agosto de 2015

NA PRIMAVERA DE ESPERANÇA - MENÇÃO HONROSA

NA PRIMAVERA DE ESPERANÇA

Só recordo do nome, a Primavera...
Cá só temos alto calor e o verão
Que queima a pele e até o coração
Tudo é escuro tal minha prima Vera!

Como falar da desconhecida estação
Se a frescura é tão pouca e tão rara
E o suor torna úmida a minha cara
E o meu corpo gorduroso à exaustão?

As flores belas, rosas multicolores são
Todas de plástico, uma natural é rara
Pode-se até imaginar ser ficção pura
Ilha Brava cheia de flores menos Açafrão...

De primavera não posso aqui escrever
Pois choro apenas por alguma chuva
Que dê a terra seca algum milho e uva
E este povo na primavera de esperança viver!

João Pereira Correia Furtado
Praia, 20 de Agosto de 2015
http://joaopcfurtado.blogspot.com

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O BOTE DOS FANTOSHES

O BOTE DOS FANTOCHES

De um lado a Europa e de outro a África
E em pleno Mediterrâneo um bote vazio
Tinha 12 pessoas e todas deixaram de existir
A morte as levou e uma grávida estava a parir
No meio do bote só resta um velho búzio
Era milagroso até que... Ao não prever morte nada heroica....

No fundo do bote o velho e milagroso búzio
Na popa restos de tecidos da improvida vela
E na proa um buraco enorme e um naco de broa
No ar o som... Toque da desolação... Da tristeza soa
Esquecida porque o temporal e a água apagaram única vela
E não havia para avisar nenhum foguete ou fogo de artificio...

O bote perdeu valor e todas as mil utilidades
E o búzio todo o encanto e todas as magias
Os corpos sem vida serviram de manjar aos peixes
Não tiveram uma linha de noticia eram fantoches
Só carnaval precisa e necessita de falsas alegorias
A memória esquece as inúteis e inglórias fatalidades


João Furtado
Praia, 27 de Agosto de 2015
http://joaopcfurtado.blogspot.com 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

SSAAUUDDAADDEESS

SSAAUUDDAADDEESS
  
Sonhei contigo mãe e a Saudade tomou conta de mim
Sabes que também lembrei-me do Saudoso e meu pai
A minha infância inocente e As tuas gostosas caricias
A pobreza em que vivíamos As vezes o pai jantava café
Uma forma de ele ter a certeza de Um prato para cada filho
Uma vez tu mãe me contaste de Umas Ilhas de Cabo Verde
Disseste que lá havia fome não Da fome que nós conhecíamos
De fome que matava e obrigou Dezenas de milhares partirem...
A noite era de histórias e anedotas e Adivinhas não existia televisão
A tua terra mãe já não tem aquela fome, a África tem fome e guerra pai
Digo-vos porque vi na televisão Deve ser a mesma fome porque
Deixam tudo e rumam a Europa, Devem pensar que lá está
Embrulhado e empacotado toda a riqueza Enxotada  da antiga África
E sabes o que acontece? São presos e julgados E recambiados para a pobreza!
Se não morrerem as dezenas sem Socorro no mar do mediterrâneo
Seguem nas frágeis embarcações e Sem pilotos nem comandantes !


João P. C. Furtado

Praia, 26 de Agosto de 2015
http://joaopcfurtado.blogspot.com

terça-feira, 25 de agosto de 2015

SAUDADE (DOS FILHOS)

SAUDADES

S - Senti de vós meus filhos Sentimentos estranhoS
A - Aqui quando todos juntos A vossa presença os tapavA
U - Uma família feliz éramos Unidos e com o nosso tabU
D - Depois começou por, Detesto recordar,  uma viagem ao OxforD
A - A razão era estudarem Ainda estão por lá e cada um com a famíliA
D - Desta separação temporária Deixou esta marca e agora me chamam de “daD
E - É carinhoso, eu sei, muito Embora não saiba o que é efetivamentE....

João P. C. Furtado
Praia, 25 de Agosto de 2015
http://joaopcfurtado.blogspot.com

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

SAUDADES

SAUDADES


S  -  Sentir um vazio no interior das alegriaS       
A 
 -  Andar titubeante sem beber uma gotA     
U  -  Única razão é a saudade do nosso saraU                             
D  -  Devia ter a idade do nosso jovem DaviD     
A  -  A gente ganhava pouco, mas chegavA     
D  -  Dava para tudo e fomos de férias a MadriD
E  -   E em Paris perto Torre Eiffel eu beijei-tE     
S  -   Senti  neste beijo o quanto tu me amavaS...!  


João Furtado
Praia, 24 de Agosto de 2015
http://joaopcfurtado.blogspot.com      

EU AQUI A JANELA E CAI A CHUVA


Bela e mui perfeita trova 
Fala dum bem que é um beijo 
Eu aqui a janela e cai a chuva 
Que à terra sacia o desejo!




João Furtado
Praia, 24 de agosto de 2015
http://joaopcfurtado.blogspot.com  
ILHA DO PRÍNCIPE

I - Imensa e bendita chuva cai calmamente
L - Lembrança da minha infância longínqua 
H - Hoje toma conta de mim e sinto o cheiro
A - A água que do céu vem ao som do trovão...
 
D - Desejei tanto que chovesse e quase desanimado
O - O chão seco parecia dizer que Cabo Verde assim ficaria...
 
P - Puro engano, de janela eu vejo, a chuva que cai
R - Reparo que as crianças sentem medo do relâmpago 
Í - Imagino a Ilha do Príncipe... Esta cena era constante 
N - Não falo do medo das crianças, elas não tinham medo
C - Com tantos relâmpagos e trovões diários, o susto só
I - Importava com a queda do maldito raio e dividia uma árvore
P - Partindo ao meio ou quase e o estrondo parecia o fim
E - E os adultos e a crianças sem distinção gritavam e tremiam...

João Furtado
Praia, 24 de agosto de 2015
http://joaopcfurtado.blogspot.com