terça-feira, 22 de dezembro de 2015

UMA GIGANTA DE PALMO E MEIO

UMA GIGANTA DE PALMO E MEIO

Fui convidado por Irmão Juvenal para irmos ao São João Baptista para mais uma campanha apostólica. Não vou repetir que éramos cinco e que partimos as sete para chegarmos à tempo de assistir a missa que começava as oito horas, mais vou dizer que dos cinco, um era Irmão Vaz e que veio da Guiné Bissau e aproveitando a nossa ida, ia participar na campanha e conhecer mais uma localidade bela da nossa minúscula Ilha de Santiago... Bem é a maior Ilha só que somos um arquipélago que só aparece no mapa encomendado e inflacionada a escala propositadamente... Mais pequeninos não nos livram de sermos gigantes. “O tamanho não é documento” disse alguém um dia.

Mal a missa começou reparei nela, uma criança que parecia uma jovem ou uma jovem com corpo de criança de seis ou sete anos... Ou uma criança de 17 anos? Para dizer a verdade, só soube a sua idade pouco tempo depois, quando tivemos a oportunidade de falarmos. Com uma camisola azul e decorada com frases em francês de frente e na costa uma de vários de nome de vários países e uma calça de ganga. Bela de rosto, aliás, é o rosto parecia ser o único sinal da eventual idade da nossa protagonista. Unhas pintadas de um verde brilhante e se não tinha os lábios pintados, não era por falta de vaidade, mas sim por serem parcos os seus meios econômicos. 
Fim da missa, o padre, Frei Andrade Viegas, Moçambicanos de nascimento e missionário em Cabo Verde anunciou a nossa presença e o Irmão Juvenal, nosso porta-voz falou da nossa missão. Saímos da missa e já no átrio da Igreja, há sombra de um barracão feito para reunião e afins, começamos o nosso trabalho, tentando identificar antigos Legionários. Conseguimos três e mais um, digo mais um, pois se ele muito nos contou sobre o passado dos Presidiuns pouca disponibilidade teve para nos acompanhar e o motivo justificava, ele pediu, em memoria da mãe falecida três meses antes, que o Sr. padre rezasse por ela...

Precisávamos de pelo menos cinco acompanhantes e o senhor padre Frei Andrade pediu para reunir com os jovens, entre eles a menina criança dos 17 anos. Enquanto sondávamos e falávamos sobre os que pertenciam antes a Legião de Maria, ele fazia sua breve reunião com os jovens. Terminada a reunião, os jovens preparavam-se para dispersar, não deixamos. Improvisamos um encontro e conseguimos que do grupo dos jovens se formasse o embrião do que no futuro pensamos que germinarão vários presidiuns, e agora?

Pedimos cinco voluntários para nos acompanhar, pois íamos sair e porta à porta fazer o nosso trabalho de apostolado. A primeira a se apresentar como voluntária foi a pequena jovem menina. Pensei logo comigo que ela iria desistir depois de quatro ou cinco casas, por precaução escolhi mais uma jovem para fazer “par” comigo... Que engano, já íamos na vigésima casa e quase dois quilômetros andados entre ladeiras e espinhas subidas e descidas e eu já quase sem folego chegamos a casa da minha minúscula guia...
-Bem agora ficas por cá! –Disse eu e como a resposta eu tive o seguinte:
- No serviço de Cristo não se para no meio, vai-se até o fim!
E fomos até o fim, ela sempre fresca, a giganta de palmo e meio, Clara Janice. E eu tive uma das maiores lições da vida!
Para o Cristo todo o sacrifício é pouco! 


João Pereira Correia Furtado
Praia, 21 de Dezembro de 2015



quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

TRINTA E DOIS ANOS DEPOIS


TRINTA E DOIS ANOS DEPOIS

Tem um sabor especial este dia
Recordo que trinta e dois anos depois
Íamos nos casar... Jovens e com olhos para frente
Na semana anterior fizemos no civil
Tão discreto foi que quase ninguém soube
A cerimônia oficial era na Igreja

Eu e tu, tu e eu e muitos convidados...
Dinheiro era pouco e os foram oferta do padrinho
O coitado era padre, o Padre João e trouxe da Ilha da Madeira
Imponente e bela estavas tu e eu? Como sempre
Sempre pacato e discreto, mais expunha tua beleza...

Ainda é assim hoje, vamos a Igreja logo dar Graças a Deus
Nestes trinta e dois anos, muito me perdoaste
O ser humano não é perfeito e eu sou um deles
Sem duvidas que terei mais para ser perdoado...

Devo esperar de ti misericórdia e tolerância
Eu sei, amor, que muito mais mereces
Pois és a minha rainha e pouco eu te posso dar
O meu amor e a minha dedicação e... Minha teimosia
Infelizmente, eu tento, mas não consigo deixar de sê-lo
Selo com um beijo este dia que quero que seja de PAZ E AMOR!
 
João Pereira Correia Furtado
Praia, 17 de Dezembro de 2015
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

FAMILIA FURTADO

  

-  Festas felizes juntos Furtado
- Amizade pura ligada pelo parentesco
- Meninas e meninos muita alegria
I    - Imensa paz e sempre este lindo
L   - Lanço que nos une... Ser um Furtado
I   
- Importa perguntar e ter a certeza
A   - A amizade torna longa num momento...

F  
- Furtado é único e sabemos que sim
U  
- Um mesmo antepassado  e característica
R  
- Retida em sete letras que continua e
T  
- Transmite no sangue e na tradição
A  
- Aqui esta a porta o Natal e o 2016
-  Depressa espera Janeiro para chegar
- O desejo para os Furtado é a PAZ, a SAÚDE e a Felicidade!

João Pereira Correia Furtado
Praia, 16 de dezembro de 2015

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

PARA PAZ

PARA PAZ

Porta aberta pela paz
A entrada muito simbólica
Rezar um ano é eficaz
A pura fé tão católica

Por ti eu passei
Ao altar fui pra rezar
Zelo da crença


João Pereira Correia Furtado

Praia, 14 de dezembro de 2015
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

ESPIRITO DE NATAL

E - Eu vi onde esta o Espirito de Natal
S - Se o amigo ver aquele bebe e seu coração
P - Pode ter a certeza está no seu coração
I  - Imaginou aquela esquina e aquele pobre
R - Relegado ao esquecimento da sociedade
I  - Infeliz e de mãos esticadas a espera do tostão
T - Tem na sua alma o Espirito de Natal
O - O menino que na rua faz o lar tem o Espirito de Natal....

D - Doente no hospital que do médico
E - Espera a cura e muitas vez sozinho, tem o Espirito de Natal

N - Néscio e louco que povoam as nossas ruas
A - Aleio  a tudo e todos têm o Espirito de Natal
T - Todos os de boa vontade que querem o Bem e a Paz
A - Andam proclamando o amor na poesia
L - Levam em cada palavra escrita o ESPIRITO DE NATAL

PARA TODOS OS SEUS LEITORES!

Abraço de Paz e Bem 

Mão da MÃE

Mão da MÃE

M - Mão Protetora e segura
à - Aquela da minha mãe
E - Eu a quero e a procuro!


João Pereira Correia Furtado
Praia, 10 de Dezembro de 2015
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ANO NOVO ANO VELHO



ANO NOVO ANO VELHO

A noticia é recorde de vendas de Armas de fogo na América
Nada de novo no ato Nenhuma casa do Tio Sã que estar desarmada
O medo continua a mandar e Os homens esquecem-se da amizade e PAZ...

Nas ruas as crianças e os pobres têm casa e No Novo Ano vai continuar a ser assim
Olho para o mundo e não vejo melhoria O voto de um ano diferente é mais um voto
Vejo com mágoa crianças na guerra e Vestidos quase sem nada também na prostituição
O ano que vai terminar não deixa saudades e O ano que se aproximam trás pouca esperança...

A guerra continua e o ódio também A utopia continua a ser um sonho ter a misericórdia
Não é pessimismo o que sinto Ninguém duvida que o homem é animal bélico  
O orgulho e a ambição trituram O legitimo direito a convivência e a PAZ

Vai o 2015 com os seus problemas e Vem o 2016 com as suas esperanças
Enquanto se estuda como salvar o planeta Espalham-se bombas para ser-se dono
Lagrimas dos refugiados continuam e Lamentações incompreendidos e porquê?
Homens e mulheres de boa vontade Hoje eu quero pedir-vos um único favor
O vosso olhar para o espelho e comtemplem Onde está a diferença? Eu não enxergo!

Joao Pereira Correia Furtado

Praia, 10 de Dezembro de 2015
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

TRIVIOLETRA TC: FURTADO

TRIVIOLETRA TC: FURTADO
F ilho crioulo // PARABÉNS JOÃO! // riu da ilha verde! (1)
U rge recomeçar // andarilho sem parada // sonhos a encontrar (7)
R io que corre // águas límpidas // esperança e paz (4)
T eus contos inspirados // furtados a Zeus // aplausos poeta! (5)
A mado pelas letras // aplausos // grandes emoções (3)
D ias virão // verões, primaveras // muitas estações (2)
O brigado é vital // poema magistral // contempla imerecido... (6)
Maria José Carvalho Dias 1, 5
Dirce Carneiro 2
Celinha Viol 3
Marcia Portella 4, 7
João P. C. Furtado 6
TRIVIOLETRA TS: FURTADO
F ilho crioulo // PARABÉNS JOÃO! // riu da ilha verde! (1)
D ias virão // verões, primaveras // muitas estações (2)
A mado pelas letras // aplausos // grandes emoções (3)
R io que corre // águas límpidas // esperança e paz (4)
T eus contos inspirados // furtados a Zeus // aplausos poeta! (5)
O brigado é vital // poema magistral // contempla imerecido... (6)
U rge recomeçar // andarilho sem parada // sonhos a encontrar (7)

BOM VASO



Bom Vaso do céu
Obra do Divino Deus
Maria porta a Luz...

Vem trazer a boa verdade
Amor perfeito que nasce
Sol brilha com ansiedade
O Bem chega e mui carece...




João Pereira Correia Furtado
Praia, 09 de Dezembro de 2016
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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

FAMÍLIA BENFIQUISTA


FAMÍLIA BENFIQUISTA

F - Festas da FAMÍLIA se aproximam
A - A Família Benfiquista tem razões
M - Muitas e boas razões de estarem felizes
I  -  Imensa somos e crescemos no dia a dia
L - Lembramos das nossas glorias e vitórias...
I - Infelizmente algumas derrotas também
A - Acreditamos com “Fair Play” que os árbitros enganam...

B - Bem na verdade enganaram mais do que esperávamos
E - E só viram que éramos atropelados na área adversária
N - No momento que notaram ser certa a nossa vitória
F - Foi o passado e esperamos que seja o passado
I  - Inspirados no futuro esperamos que sejam planos os relvados
Q - Que neles desejamos festejar o Natal e o Ano Novo
U - Um ano de PAZ, de Bem, somos de PAZ E BEM, para todos nós
I - Imaginemos mais um Marques de Pombal cheio de SSSS LLLL BBBBB
S - Sabemos que é possível e vamos desejar que assim aconteça
T - Também vencemos e venceremos nas outras modalidades
A - A nossa força é grande e maior fica dia a dia, somos a FAMÍLIA BENFIQUISTA!

BOAS FESTAS E FELIZ 2016 CHEIO DE GLORIAS E DE PAZ E BEM!


João Pereira Correia Furtado

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Praia, 08 de Dezembro de 2015  

PEAPAZ PARABÉNS AOS DIGNOS ADMINISTRADORES.

P - Palavras não são precisas
E - Estão nas obras feitas
A - As provas da qualidade
P - Presentes na arte de PAZ enaltecer
A - Aqui deixo os agradecimentos e o pedido
Z - Zelarem para que PEAPAZ continue a crescer

PARABÉNS AOS DIGNOS ADMINISTRADORES.


Um abraço de PAZ E BEM,

João Furtado
Praia, 08 de Dezembro de 2015
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O AMOR GUIA A VIDA, VEIO A LUZ DA PAZ!

O AMOR GUIA A VIDA, VEIO A LUZ DA PAZ!

O - O Anjo anunciou a Maria

A - A vinda dele o Menino
M - Mãe é ela e não imaginava
O - O dom de ter o Destino
R - Rei que estrela admirava...

G - Gestos humildes e gostos
U - Um Rei que nasce nu e pobre
I  - Ignorados os Seus prantos
A - A ovelha quente O cobre

A - As Estrelas reis acenam

V - Vêm de longe com presentes
I  - Incenso ouro e tal mira
D  - De dor símbolo cientes
A - Avisam e Ela admira...

V - Vão os pastores ansiosos
E - E carentes das boas novas
I - Inspiram salmos e versos
O - O Menino escuta as trovas...

A - Ao Deus Seu Pai entoadas...
                                
L - Lamentações são esquecidas
U - Única e nova esperança
Z - Zelante eterno das vidas

D - Dorme e o mal se julga vencer
A - Até se descuida e canta 

P - Príncipe maior do Amor        
A - Assim proclama o Senhor
Z - Zéfiros de BEM e PAZ

João Pereira Correia Furtado
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Praia, 07 de Dezembro de 2015  

   

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

MARIA VIRGEM MÃE

                MARIA VIRGEM MÃE


M - Mãe és e sempre serás
A - A tua dedicação é única
R - Recordando o momento
I - Imperiosamente maior
A - A vinda do teu Filho Salvador...


V - Venho me ajoelhar aos teus pés
I - Imaginar os momentos de Esperanças
R - Rezar para com a tua intercessão para
G - Ganharmos do teu Filho nosso Irmão
E - Especiais atenções e muito perdão...
M - Minha Mãe, Nossa Mãe protegei-nos!


M - Mãe de Deus e dos homens rogai pela humanidade
à - A guerra que seja esquecida e o ódio também
E - E a PAZ e o Bem que reine neste Mundo Sofredor!


João Pereira Correia Furtado
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Praia, 04 de Dezembro de 2016 







FELIZ NATAL E PROSPERO ANO NOVO 2016

FELIZ NATAL E PROSPERO ANO NOVO      

F - Faltam poucos dias para a festa
E - E já se sente as movimentações
L - Lojas recheadas e algumas com promoções
I  - Imensa vontade de comprar e
Z  - Zelar para que o Natal seja  alegre...

N  - Nalgumas casas já não se houve os noticiários
A  - A guerra e a morte continuam a ser 
T  - Tema cotidiano e se quer esquecer
A  - A Terra precisa de melhores dias
L  - Lá em Paris os senhores discutem e querem ajudar

E  - Eu escuto e penso que é mais uma reunião....

P - Penso no mundo e tento entender
R - Retrospectivo o ano desde o último Natal
O - O meu voto aos amigos e inimigos
S - São mais utópicos que reais
P - Piorou um pouco e creio não ser do pessimismo
E - Europa é evadida por miseráveis da guerra
R - Recheados de gentes barcos frágeis afundam
O - O grito e desespero é afogado no Mediterrâneo ...

A - A razão se perde e a confusão é total
N - Ninguém percebe a causa deste apocalipse
O - O medo surge e homens continuam a serem bombas...

N - Nada de novo senão o calor que aumenta o mar
O - Onde eram belas praias se transforma em declives
V - Vem mais secas nalgumas terras já secas
O - Outras terras onde sempre choveu mais inundações tiveram...                         

E QUE 2016 SEJA O PONTO DE VIRAGEM PARA UM ANO  MELHOR! 


João Pereira Correia Furtado
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Praia, 03 de Dezembro de 2016 

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

UM MUITO OBRIGADO PARA TODOS OS AMIGOS

UM MUITO OBRIGADO PARA TODOS OS AMIGOS

U - Um dia especial para mim, foi sim sem duvidas
M - Mas graças a vocês, minha família e  meus amigos!

M - Muitos de vós, eu não conheço pessoalmente
U - Uns talvez conhecerei um dia e muito me alegrará
I - Isto porque têm feito parte da minha vida Virtual
T - Tenho duas vidas, a real e a realmente Virtual
O - O mundo onde se entra e se sai no mesmo anonimato quase sempre...

O - Os poucos que deixam marcas, são os que escrevem
B - Bem ou mal, pouco ou muito algo que perdura
R - Realmente tenho escrito e aprendido com esta segunda vida
I - Importa dizer que é tão real como a real
G - Gestos de amizade e de carinho que o mundo virtual
A - Atira e espalha mostra o quanto ele se torna presente
D - Deste mundo que indelevelmente já me considero cidadão
O - Ontem e hoje e certamente amanha me tem surpreendido...

P - Podia tentar dizer e escrever “obrigado” a cada uma das mensagens
A - Assim passaria o ano a agradecer e quando me despertasse
R - Repararia que estava quase a completar mais um ano de vida
A - Amigos e amigas certamente que seria uma útil ocupação...

T - Tenho que render as evidencias, outros valores se levantam
O - Outros muito menos importantes acreditem-me amigos
D - Devia vencer o egoísmo que me é tão humano e sim...
O - Ocupar o tempo da preciosa maneira de vos agradecer
S - Saudar a vossa lembrança em mim e desejar-vos tudo de bom

O - Os vossos dias sejam perfeitos e cheios de riquezas
S - Saúde e Paz nunca vos falte e que recebam carinho

A - Amigos mil acrescentem a vossa vida real e virtual
M - Muita alegria e festa e que aproveitem esta quadra
I - Importante na família que é o Natal que teima em aproximar
G - Gastem as vossas preocupações com vossos entes queridos
O - Onde caberão, peço-vos, os homens, mulheres, crianças
S - Sem esquecerem o nosso planeta, é a herança dos nossos netos!

João Pereira Correia Furtado

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30 de Novembro de 2015

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A PAZ É POSSÍVEL


Pode todo o incrédulo
Dizer que é miragem
Para guerra o pendulo
Cheira pólvora a aragem

Compra-se bombas e tudo destroem
Os passarinhos não cantam
Gritam que os homens nada constroem
E por socorro muito reclamam

Nada se espera do futuro
E toda a esperança é utópica
Querem vitória e louro
A Paz e trégua é sinótica

Mas com fé e Deus a PAZ
Muito distante não é impossível
A terra transformada é sim capaz
E os homens abraçados é previsível

João P. C. Furtado
Praia, 27 de Novembro de 2015
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terça-feira, 24 de novembro de 2015

TROVANDO (VIDA)



Vem do Céu a Salvação,
Imperador tão Menino...
Dele chega-nos perdão,
A sina e o novo destino...



João Pereira Correia Furtado

Praia, 24 de Novembro de 2015

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

RECEBE MIL BEIJOS

RECEBE MIL BEIJOS

Blusa de cetim transparente e encarnada
Lhe aperta o seu jovem e belo e firme busto
Nos lábios vermelhos é o batom da mia amada...

Ela aproxima e confiante encosta com gosto
No meu acolhedor peito e dá gargalhada
Eu sinto que vai ter casamento proposto....

Ela me ama e de mim recebe mil beijos

E para mim oferece todos seus desejos

João Pereira Correia Furtado
Praia, 06 de Novembro de 2015

O AMOR E O ÓDIO

O AMOR E O ÓDIO
Sabia que não devia ir, muito embora os amigos insistissem para que fosse devia continuar a confiar na Martina ou pelo menos fingir que confiava. Ele, Tonico, era loucamente apaixonado por Martina e devia acreditar que era para um serviço licito e normal que ia todas as noites e regressava de madrugada.
Não importava como ia vestida ou quase vestida, a saia mal tapava a cueca e as pernas estavam quase todas à mostra e protegidas apenas por umas finíssimas meias de cor vermelha. A Blusa quase sempre branca ou bege de rendas e logicamente transparente... Podia ser apenas a liberdade de estar na moda. O avultado dinheiro que diariamente, digo, todas as madrugadas trazia podia ser de fruto de um esforço abdicado e constante que a sua amada fazia.  A indisposição para receber um beijo ou um carinho amoroso era sem dúvida o cansaço a razão obvia.
As más línguas o mundo sempre as teve e como sempre seriam sem fundamento, ele apenas correria o risco de à perder se seguisse o conselho dos amigos ou talvez os inimigos, pois não existem maiores inimigos que os falsos amigos.
Os rostos de troça que o envolvia era superior aos de pena e aos de inveja. Pena por estar a ser um “coitado” e inveja por ter uma das mais lindas mulheres em muitos quilômetros quadrados ao seu redor.
Os da troça aumentavam de tal ordem pelo tempo decorrido que a única solução era fazer o que tinha que ser feito...
Não disse nada a ninguém, até foi-se deitar e fingiu que estava a dormir, cansado da labuta do campo, pois o Tinoco era agricultor. Esperou que a Martina saísse e sorrateiramente segui-a até o local do trabalho dela... Esperou escondido por uns vinte ou trinta minutos, pareceu serem séculos, devagar foi aproximando até a porta e era um bar e viu...
A Martina estava sentada numa mesa, naquele dia até levava uma blusa avermelhada e saia amarelada e não tão curto como das outras noites. O seu belo rosto e o seu lindo peito sobressaiam... Seus olhos fechados e significativamente sensuais e sua cabeça caída e apoiada num ombro de um homem já de idade madura e que a beijava, dissiparam todas as dúvidas...
O que faria ele o Tinoco? Paralisado e sem nenhuma ação aparente viu a cena por tempo indeterminado. E tornou a se perguntar.
- O que farei agora? Onde e como irei enterrar todo este ódio? – Pensou tão alto que a Martina conhecendo a voz despertou e abriu os olhos...
Fim

João Pereira Correia Furtado

Praia, 04 de Novembro de 2015
http://joaopcfurtado.blogspot.com  

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A SONAMBULA DANÇARINA




A SONAMBULA DANÇARINA
Há meses que se sentia cansada, pouco tinha que fazer. Durante o dia dava pequenos passeios no jardim, quando lhe apetecia, bordava ou tocavam no histórico piano de cauda centenário da família. Uma das poucas mobílias trazidas de Portugal para a pequena Ilha da África por exigência da mãe.
Os ditos passeios deviam ser curtos e seguidos por dois ou mais serviçais que tinham como missão a proteção dela de todos os males inclusive dos mosquitos anófeles que tantos males causavam. Era preferido serem eles os serviçais picados por milhares de mosquitos que ela por uma única picada.
Ela sabia, ouvia que nas sanzalas, há poucos metros do colonial e pomposo edifício onde residia, diariamente, para passarem o monótono tempo noturno haviam danças diversas africanas trazidas do continente pelos serviçais, mas nunca, pelo menos assim julgava, tinha visto ou presenciado e muito menos participado.
De onde vinha tanta canseira? Se ela era uma das primeiras a deitar e das últimas a levantar? Se ela tomava o seu pequeno almoço no quarto e nunca via o sol, senão depois de se iniciar o declínio para a noite...
O mistério tornou-se mais incompreensível quando uma das paredes do quarto apareceu tal uma tela, onde os serviçais, negros e seminus e com os instrumentos rudimentares tocavam e as mulheres quase todas com minúsculas saias e mais nada vestidas dançavam a volta de uma linda e alva rapariga, vestida de azul-celeste e portadora de um xale cor de ouro nas mãos. Se não era ela, era uma perfeita clonagem fora do tempo...
Sem saber como a parede milagrosamente transformou-se na bela e artística tela, foi tomar o pequeno almoço na mesa com os pais, coisa que não fazia há anos e teve o cuidado de trancar a porta e levar com ela a chave. Quando regressou ao quarto, deu ela mesma um jeito no quarto e não deixou que nenhum serviçal entrasse.
Tentou por todos os meios guardar o segredo, mas a mudança tão repentina dos hábitos diários levantou suspeita e o pai, prudentemente, destacou dois serviçais de sua inteira confiança para segui-la... Segui-la para onde? Ela não ia a lado nenhum.
Onze  horas da noite. O silêncio na mansão até arrepiava,  nem um zumbido do mosquito, nada, tudo era apenas o silêncio... Um som do ranger da porta que se abria, era ela que saia e ia, com os olhos fechados. Parecia um zumbi, mas não tropeçava e nem caia. Levava um vestido azul-celeste e nos ombros um xale cor de ouro ou mel. Seguiam na os dois serviçais, ela não podia prever que era seguida. O destino era a sanzala onde o barulho era ensurdecedor e ela mal chegou tornou-se centro de tudo e ao lado tinha um jovem negro adornado de maneira diferente de todos... Além do adorno ele era altivo e com portes reais.
Dançaram ele e ela por mais de duas horas, ele pegou-a nas mãos e perderam na noite. Os dois serviçais seguiram-nos até ela regressar de braços dados com ele e os dois entraram no quarto dela. Ele pegou no pincel que trazia no bolso e deu mais uns retoques. Desenhou-se envolto ao xale que ela suportava.  Ela dormia num sono profundo.
Ela acordou para ir tomar o café, reparou no desenho e ela gostou não se lembrava de nada, mas gostou do desenho e do jovem... Abriu a porta, deparou com os dois serviçais, estavam imóveis no chão. Chamou o pai e este não conseguiu ver nenhum vestígio de crime, mandou enterrar os serviçais...
Ninguém jamais soube que ela era uma sonambula e ela jamais soube por que havia tanto mistério a sua volta.          


João Pereira Correia Furtado
Praia, 19 de Outubro de 2015


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

TROVA ACROSTICAL


TROVA ACROSTICAL


J - João de trova e de acróstico
O - O novo estilo fez nascer
A - Ao poeta Marcial mui prático
O - O padrinho coube benzer

Assim seja então "TROVA ACROSTICAL" que o poeta Marcial Salaverry seja o PADRINHO !

PAZ E BEM

João

CASA - TROVA ACROSTICAL

CASA/TROVA
 

C - Cá comigo grande dúvida
A - A gente tem que merece?
S - Sei que fica sempre dívida
A - A vida não é que parece...



João Pereira Correia Furtado
Praia, 21 de Outubro de 2015

MÔNICA NUNES PAMPLONA

MÔNICA NUNES PAMPLONA

M - Mônica querida trovadora
O - Obrigado amiga pela mensagem
N - Nela é o apelido da minha esposa
I  - Imaginei, tem quatro letras
C - Cá por mim daria uma TROVA
A - A ideia tornou-se neste poema!
                        
N - Naturalmente que estou feliz com o comentário
U - Um incentivo para continuar a mesclar estilos
N - Não prometo conseguir mais, mas tentarei
E - E se lá chegar em parte a ti, amiga, devo
S - Sem duvidas que é uma grande mentora.

P - Porque não tirar o "O" no terceiro
A - A TROVA ficará melhor certamente
M - Muito continuarei a aprender com todos
P - Pois sempre fui autodidata e deixei cedo,
L - Lidas da vida eram tantas, a escola
O - O desejo de aprender continuo comigo
N - Não superou a preguiça de regressar
A - Assim me tornei aluno de todos os amigos!

João Pereira Correia Furtado

Praia, 21 de Outubro de 2015

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A SONAMBULA DANÇARINA


Há meses que se sentia cansada, pouco tinha que fazer. Durante o dia dava pequenos passeios no jardim, quando lhe apetecia, bordava ou tocavam no histórico piano de cauda centenário da família. Uma das poucas mobílias trazidas de Portugal para a pequena Ilha da África por exigência da mãe.
Os ditos passeios deviam ser curtos e seguidos por dois ou mais serviçais que tinham como missão a proteção dela de todos os males inclusive dos mosquitos anófeles que tantos males causavam. Era preferido serem eles os serviçais picados por milhares de mosquitos que ela por uma única picada.
Ela sabia, ouvia que nas sanzalas, há poucos metros do colonial e pomposo edifício onde residia, diariamente, para passarem o monótono tempo noturno haviam danças diversas africanas trazidas do continente pelos serviçais, mas nunca, pelo menos assim julgava, tinha visto ou presenciado e muito menos participado.
De onde vinha tanta canseira? Se ela era uma das primeiras a deitar e das últimas a levantar? Se ela tomava o seu pequeno almoço no quarto e nunca via o sol, senão depois de se iniciar o declínio para a noite...
O mistério tornou-se mais incompreensível quando uma das paredes do quarto apareceu tal uma tela, onde os serviçais, negros e seminus e com os instrumentos rudimentares tocavam e as mulheres quase todas com minúsculas saias e mais nada vestidas dançavam a volta de uma linda e alva rapariga, vestida de azul-celeste e portadora de um xale cor de ouro nas mãos. Se não era ela, era uma perfeita clonagem fora do tempo...
Sem saber como a parede milagrosamente transformou-se na bela e artística tela, foi tomar o pequeno almoço na mesa com os pais, coisa que não fazia há anos e teve o cuidado de trancar a porta e levar com ela a chave. Quando regressou ao quarto, deu ela mesma um jeito no quarto e não deixou que nenhum serviçal entrasse.
Tentou por todos os meios guardar o segredo, mas a mudança tão repentina dos hábitos diários levantou suspeita e o pai, prudentemente, destacou dois serviçais de sua inteira confiança para segui-la... Segui-la para onde? Ela não ia a lado nenhum.
Onze  horas da noite. O silêncio na mansão até arrepiava,  nem um zumbido do mosquito, nada, tudo era apenas o silêncio... Um som do ranger da porta que se abria, era ela que saia e ia, com os olhos fechados. Parecia um zumbi, mas não tropeçava e nem caia. Levava um vestido azul-celeste e nos ombros um xale cor de ouro ou mel. Seguiam na os dois serviçais, ela não podia prever que era seguida. O destino era a sanzala onde o barulho era ensurdecedor e ela mal chegou tornou-se centro de tudo e ao lado tinha um jovem negro adornado de maneira diferente de todos... Além do adorno ele era altivo e com portes reais.
Dançaram ele e ela por mais de duas horas, ele pegou-a nas mãos e perderam na noite. Os dois serviçais seguiram-nos até ela regressar de braços dados com ele e os dois entraram no quarto dela. Ele pegou no pincel que trazia no bolso e deu mais uns retoques. Desenhou-se envolto ao xale que ela suportava.  Ela dormia num sono profundo.
Ela acordou para ir tomar o café, reparou no desenho e ela gostou não se lembrava de nada, mas gostou do desenho e do jovem... Abriu a porta, deparou com os dois serviçais, estavam imóveis no chão. Chamou o pai e este não conseguiu ver nenhum vestígio de crime, mandou enterrar os serviçais...
Ninguém jamais soube que ela era uma sonambula e ela jamais soube por que havia tanto mistério a sua volta.          


João Pereira Correia Furtado
Praia, 19 de Outubro de 2015

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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

ROSEMARIE PARRA



R – Rico livro e cheio de acrósticos belos
O – Obra ímpar digno de uma leitura cuidadosa
S  - Sem dúvida que o leitor muito ganha
E  - E aprende com tanta qualidade e
M – Magia na arte de dedicatórias em poemas
A  - A minha vontade e tornar a ler este livro
R  - Regressarei e com calma e tempo
I   - Imaginarei e deleitarei a minha alma
E  - E insaciável mil vezes voltarei ao digno banquete...

P  - Parabéns à poetisa e mestre em acróstico
A  - Ao agrupar tão belos poemas e em livro
R  - Resolver oferecer aos comuns leitores
R  - Razões para ocupar tempo de maneira útil
A  - Apraz-me tornar alegremente a parabenizar....


PARABÉNS ROSEMARIE PARRA

João Pereira Correia Furtado
Praia, 16 de Outubro de 2015

TROVA OU ACRÓSTICO?

TROVA OU ACRÓSTICO?

Nuvem escura no céu
E começa a pingar água
Lá tem tribunal e eu réu
A saudade é pena e mágoa...


João P. C. Furtado
Praia, 16 de Outubro de 2015

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

UM VISITANTE INESPERADO

UM VISITANTE INESPERADO



Na véspera do dia marcado, eu ainda não tinha a certeza que iria sair no dia seguinte. Eu estava naquela de “eu vou” e o “eu não vou”. Levantei-me cedo e, estou a tornar-me cada vez mais metódico, e não é por causa da idade que teimosamente teima em se acrescentar, mas é porque a pessoa em quem eu comodamente deixava a missão de organizar tudo para mim, tem tido necessidade de embarcar com certa freqüência com o fim de se tratar e controlar o estado da saúde, a minha mulher.  Ela tem várias doenças e está em constante “check-up”.  Entre as doenças inclui o câncer.
Costume dizer a jeito de brincadeira, para lhe animar, que é mais fácil perguntar-lhe do que ela não sofre...
Bem voltemos à crônica, sempre fui devoto de Nossa Senhora e há certa de um ano fui convidado pela Sra. Emiliana para um presidium, ela apenas disse que precisava de mim, disse-me o local e a hora do encontro, Capela de Lém Ferreira, Sábado, às 07H30. Eu já tinha notado aqueles movimentos de pessoas sempre no mesmo dia e hora, não sabia do que se tratava, mas eu estava morto de curiosidade, e, ia ter a oportunidade de saber do que se tratava.  Não fui naquele sábado, já tinha outro compromisso, fui uma semana depois.  Vi a alegria no rosto dela e senti que a mesma já estava a pensar que perdeu o seu tempo ao convidar-me. Vi logo que era LEGIÃO DE MARIA, desde menino que eu sabia que ela existia. Pois aprendi a recitar “quem é esta que avança como aurora formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como o exército na hora da batalha?” entre o soneto de Bocage sobre a fábula da raposa e a uva verde e a fala dos animais de Júlio Dinis e mais alguns poemas de autores desconhecidos.
Entrei para a Legião, a minha mulher estava no exterior em... Imaginem... “Check-up”. Assim que ela chegou tive o trabalho de levá-la e hoje estamos os dois no Presidium de Nossa Senhora de Carmo de Lém Ferreira...  Devia ser de Fátima, mas a Nossa Senhora é a mesma.

Chegou a minha vez de iniciar a Oração e fazer a leitura, fiz o melhor que pude entre a ansiedade e o nervosismo...

No fim da reunião o Presidente, Irmão José da Lomba disse-me que estava a pensar em algo para mim. Hoje sei que é ficar temporariamente “presidente” enquanto ele sairia de férias e tratamento em Portugal. Não pude negar o pedido, sei que não estou preparado, mas não tive coragem de dizer não.
Já presidi algumas reuniões, claro com ajuda de todos os membros, eu o mais novo do grupo com exceção da minha mulher que também se encontra ausente. Já presenciei uma reunião de Régia e tudo me parece aliciante e belo no projeto de Frank Duff. Brevemente irei fazer a minha primeira visita à um Presidium na Achada Grande Trás, mais um passo em frente.

Já sabíamos do passeio legionário de este ano na Paróquia de S. João Batista e na localidade do mesmo nome. Mas na Régia recebemos a informação que iria ser na mesma Paróquia, mas a localidade foi transferida para Santa Ana. Uma Santa muito respeitada em S. Tomé onde a tradição dá um valor enorme aos avôs e sendo Santa Ana a Avó humana de Jesus, ela é elevada a “SANTANA GRANDE”.


Resolve na nossa reunião semanal, sábado, 04 de Julho, que devia ir ao passeio, seria este ou jamais iria como aconteceu no ano passado. Entre no grupo uma semana antes do passeio de 2014, não achei que devia participar num passeio, estando a minha mulher ausente.
Domingo, cinco de Julho de 2015, Cabo Verde em festa, 40 anos de independência e nós íamos fazer a nossa festa de 2035 anos de Maria, Nossa Senhora, mais anos menos anos.
Às 08H30 cheguei ao ponto combinado. Encontrei o carro do outro Presidium de Lém Ferreira cheio e o nosso? Estava lá, mas contei, éramos apenas quatro. Tenho no espírito um pouco de S. Tomé, senti um pouco tremido a participação do nosso grupo. A desilusão começa a aparecer... E comecei a pensar que não fui suficientemente eloqüente para convencer os membros a participar. Chega a Irmã Narcisa e pergunta pelos que faltam. Resolve ir chamar o Irmão Lucio e regressa ela e ele e a família. Irmã Lurdes e a neta de dez anos. Menos mal, pouco depois chega uma das irmãs que desculpara e afirmara não poder ir. Senti-me privilegiado com esta surpresa. Mas faltava a pessoa mais importante, a Irmã Celeste tesoureira, sem ela nada feito, é a Irmã do cofre, mas ela chega um pouco depois. Que alivio... O Irmão Luís Vicente não confirmara, apesar da insistência, compreendi, ele vinha de uma longa viagem. Ainda estava a acertar o relógio para o de Cabo Verde.


Partimos rumo ao ponto combinado pela Régia, arredores do Mercado de Sucupira. Ainda tivemos a oportunidade de apanhar uma Irmã do outro Presidium de Lém Ferreira, ela atrasou-se um pouco e regressava ao lar com desilusão no rosto. À titulo de brincadeira dê-lhe ordem para mudar imediatamente para o nosso Presidium que nós nunca esqueceríamos dela. Serviu para todos rirem descontraidamente.
Chegamos ao ponto. Vários Hiaces estavam ai e algumas pessoas que ainda não tinham como deslocarem. O nosso carro encheu rapidamente e “expulsamos” a Irmã que demos a boleia para o grupo dela, o Hiace do outro grupo estava lá.  Fizemos pequenas compras de última hora e partimos, ao todo seis Hiaces... No nosso rezamos um terço e cantamos, a Irmã Emiliana presidiu o terço. O momento de Fé era atrapalhado por curtos momentos de curiosidade, era a minha primeira ida a Santa Ana. Eu não era único, a menina de dez anos, neta dos irmãos Lúcio e Lourdes queria saber o nome de todos os aglomerados habitacionais por onde passávamos.
A estrada não era das melhores, depois de o alcatrão tomar conta das antigas calçadas de “paralelos em basáltico”, andarmos numa estrada destas passou a ser um sacrifício, mas só víamos a notar no regresso e nem tanto.   
 
Chegamos mesmo à tempo. A missa ia começar, o Senhor Padre, um Franciscano, que nos convidou, estava a ensaiar os cânticos da missa e por fim levantou-se e deu-nos boas vindas. Ele Informou-nos que de momento era único, os outros padres por contingência humana tiveram que ausentar, um é moçambicano e tinha o passaporte caducado, outros, por outras razões ausentaram.  

“Não há mal que vem sozinho” não sei que o disse pela primeira vez, mas acontece com certa freqüência, que julgo confirmada a tese. Ele tinha entalado um dedo na porta do carro... Dormiu mal e chegou tarde, depois de ter que estacionar a berma da estrada para descansar um pouco, pois corria o risco de dormir ao volante... A missa ia ter cânticos, mas sem o piano, pois sozinho não podia presidir a cerimônia e tocar o piano... Era incapaz de fazer o milagre da duplicação e houve o milagre, o presidente da Régia, Irmão Juvenal Tavares é um nato músico a tocar e a cantar... Embora não fazia ainda parte da cena, e a dançar. Os cânticos tiveram acompanhamento do piano.
Entra a visita dos visitantes. Uma visita inesperada. O senhor Manuel, ia dentro de um caixão e como manda a tradição o afilhado mais novo ia à frente de lenço branco um uma CRUZ DE CRISTO envolto num pano de mesma cor. Ele esteve na agonia cerca de três meses e morreu precisamente na véspera da nossa visita, isto vim, a saber, depois pela irmã Filoca na partilha da palavra semanal.
Teve a sua missa de corpo presente e soubemos pelo padre que comungou duas semanas antes. Merecia estar presente e ser a nossa visita.
Terminou a missa, mas o senhor Manuel continuou deitado dentro do seu caixão à espera do filho emigrante... Que fazer?   Rezar por ele, e, o passeio de alegria transformou-se num ato de misericórdia fúnebre.    O irreverente Irmão Jhonsa fez a abertura da cerimônia com terço, teve a ajuda do Irmão Domingos.
Fomos recebidos de CUZ-CUZ COM LEITE, servimos, não chegou para todos, mas todos se sentiram saciados e agradecidos.
Cada presidium tinha seu plano de almoço, o nosso não tinha e improvisamos e juntamos com alguns na mesma situação e com os nossos anfitriões. Foi lindo.  Depois do almoço tiramos algumas fotografias. Perguntei ao Irmão Juvenal o que era a próxima atividade. A resposta foi:
-Com a presença do senhor Manuel o ambiente não é propicio...


-Se o senhor Manuel escolheu visitar-nos é porque assim quis a nossa senhora – o Irmão Domingos disse e levantou-se. Fomos rezar de novo e o Irmão Juvenal fez uma reflexão da vida e da morte que o momento exigia.
Fiquei sem saber se o esperado filho do Senhor Manuel chegou ou não.  Pois o cortejo fúnebre seguiu para sua última morada. Segundo soube, muito distante da localidade de Santa Ana.
Esperamos o tempo necessário de respeito que o senhor Manuel e a família merecia afastassem à caminho do destino final do nosso corpo e voltamos para a Nossa Mãe na Casa feita em honra da Mãe da Nossa Mãe, desculpem o pleonasmo...
Que linda festa. Lembrei-me da minha juventude na Igreja em S. Tomé e Príncipe.  Os cânticos podem se transformar é louvor e alegria e em vários estilos de musicas, desde o nosso Funana até ao ritmo popular português.  Cada um com o seu talento que fez render o máximo. Se fosse um concurso tradicional da cultura, não sei quem ficaria em primeiro lugar.... O Irreverente Jhonsa ou o animador Domingos ou o completo Juvenal ou um jovem que vi pela primeira vez ou uma das irmãs de 70 e tais anos. Não era preocupante, tinha a minha medalha, o pior de todos a dançar e a cantar. Mas não guardei meu péssimo talento, com medo das gargalhadas que provadamente provoquei...
Tivemos a preciosa ajuda de Irmã Missionária para nos animar. O tempo voou e chegou a...



Hora de regresso e onde está o fundador da Legião em Santa Ana, com ajuda do muitíssimo conhecido Padre Campos? O Senhor Nicolau.  As “nossas anfitriãs nos informaram que naquele dia ele não pode descer...” Se ele não vem a nós, vamos nós a ele.
Depois das últimas fotografias da Família da Legião, fomos conhecer o ancião de oitenta anos e o Irmão Juvenal fez de jornalista e eu? Porque não o “câmara-man” improvisando?  Até um telemóvel se transformou num microfone.
Restam apenas o abraço, a vontade de regressar de novo, não faltou o convite, e o regresso à casa... Cheios de saudade. 



João Pereira Correia Furtado
Praia, 06 de Julho de 2015

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