sexta-feira, 8 de março de 2013

MULHER PEDINTE

MULHER PEDINTE




Usa saias, as vezes calça

Sai e vende, vende tudo

Na cintura um avental

Ou simplesmente um bolso

Um bolso onde tudo leva

Mas que fazer?

Tem que viver

E viver é vender

É vender e vender

Vende peixes, vende carne

Vende todos os peixes do mar

E vende toda a carne

Até a sua própria carne

Vende frutas e vende bolachas

Vende roupas e que roupas

Até anda nua

Mas tem que vender

Vendeu carne

E nos braços andou

Com o fruto da carne

E para que o fruto cresce-se

Carne vendeu de novo

Hoje tem muitos filhos

E nenhum marido

E tem que continuar a vender

Vende e vende e vende

Mas poucos já compram

A carne esta velha

E o rosto esta enrugado

Mas tem que vender

Tem que vender o que já não tem

Para vender ficou só o nome

Ela é “rabidante” e tem que “rabidar”

Mas “rabidar” o que já não se “rabida”

Ela é “rabidante”

Ela tem que “rabidar”

Ela tem que vender

Vender o que já não pode vender!



João Furtado

http://joaopcfurtado@hotmail.com

sábado, 2 de março de 2013

Ao Johnny de Pina e todos poetas e colaboradores da ESTANTE !


Ao Johnny de Pina e todos poetas e colaboradores da ESTANTE !

Do grande poeta Johnny de Pina
Que com letras e palavras brinca
Recebi e li um poema que me dedica
Depois da Bia Peixeira e sua sina...

Melancólico estava eu e meu coração
E de repente chega a arte em poesia
Veio para meu coração dar alegria
E partir a emoção com outra emoção...

O poeta Johnny falou de outros poetas nobres
Entre eles poetisas muito carismáticas
Nestas artes e nestas lindas práticas
Elevando ao mesmo nível os meus pobres...

Aqui e ao Johnny e todos meus amigos poetas
Conhecidos e a conhecer no futuro
Todos construtores da poesia em ouro
Quero dar parabéns e dizer obrigado poetas!

João Furtado

Http://Joaopcfurtado.blogspot.comPraia, 02 de Março de 2013

MULHER PEIXEIRA

MULHER PEIXEIRA

Ao cais das pescas de madrugada
A Bia mal passou a agua ao rosto
Sua saia comprida de ganga ao gosto
A cabeça, com um lenço, amarada...

Na mente os filhos em casa sozinhos
À presa saiu e esqueceu de avisar,
Meu Deus que descuido, que azar
E se algo acontecer e os vizinhos...

Voltar e perder o dia da faina
Ou esperar que chegue o bote
É o dilema da lançada sorte
A Bia Peixeira canta uma morna...
Todas colegas esperam dela o “batuco”
Mas ela triste e melancólica não dá o troco!

João Furtado
Http://Joaopcfurtado.blogspot.com
Praia, 02 de Março de 2013

sexta-feira, 1 de março de 2013

MULHER, para as Colegas Femininas!



MULHER? MULHER É ....




M Mulher, muito mais que um ser feminino
U Uma flor plantada no Jardim da Humanidade
L Linda e terna filha que alimenta a esperança
H Há melhor carinho que afeto do nosso amor?
E E de aquela que tudo larga para abraçar o desconhecido?
R Rica e adorável mãe que não mede esforços para o filho...



Tudo e muito mais é esta Santa que se chama mulher...



MULHER


M Meu Deus, para quê… Esta data
U Um dia internacional para a mulher
L Logicamente é ela, sem dúvidas, que deve ter
H Hoje, ontem e amanha, a bendita
E Ela é afinal a melhor flor do mundo, a maravilha…
R Respeitada mãe, amada mulher, carinhosa filha!

João P. C. Furtado
http://joaopcfurtado.blogspot.com
Praia, 01 de Março de 2013


domingo, 24 de fevereiro de 2013

São João e Sto António


São João e Sto António

Com muito obrigado ao Sérgio
Quero recordar o São João
Na Ilha devotada ao S. António
De corpo, da alma e do coração!

Na noite calma e quente
Uma grande fogueira acesa
A juventude feminina da sorte crente
Saltava para lavar o mal e ter a surpresa!

Na mão levava um ovo
E na boca uma prece
Na mente um desejo novo
Que um futuro melhor merece!

O ovo era depois com cuidado quebrado
Num copo com água cristalina da Ilha
E na noite tépida e húmida colocado…
Ansiosa a Juventude feminina não dormia!

Queria ver com o clarear do dia
O véu ou castelo ou o mastro
Formado com a clara na água fria…
Tinha-se medo era do caixão ou do monstro!

 

Eu, sem sucesso tentava espreitar
Sem nada ver, gritava – É caixão!
Um forte tabefe para me espantar
Levava e as vezes um forte palavrão…

Mas que a Ilha festejava e festeja
Creio eu, hoje muito longe e saudoso
Que presente estar, a minha alma deseja
É Sto António do Príncipe, o Milagroso!


É Sérgio, meu amigo, esta a verdade
Do filho de uma pequena Ilha distante
Que vive longe e com muita saudade
E sente que é do mundo, o habitante!

 
João Furtado

Em S.Filipe, Fogo, 24 de Fevereiro de 2013   
http://joaopcfurtado.blogspot.com

 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

LINGUA MATERNA

LINGUA MATERNA




L Lida ku bida na dia-dia

I Inda ka da pa ntend ês bida

N N ta labanta kansado di durmi

G Gana diskansa ta dan mas N ten ki trabadja…

U Undi N ta trabadja, si N ta djinti kansadu

A Ago si korpu kapodi… Nen pa N guenha?



M Mi N kre skrebi na krioulo

A Ali ki porka russa torse si rabo

T Tem dor ki ta dói go nha guenti

E Ês nha krioulo ka ta poi na papel

R Ranhadu na boka… Riskado na papel

N Nen hoji ki flado mê dia di língua materno

A Ami N ka ta konsigue skrebeu krioulo!



João P. C. Furtado

Praia, 20 de Fevereiro de 2013

SONHOS DE MARIA

SONHOS DA MARIA




Linda crioula de Santiago, a Maria
Sem querer, teve uma febre de paixão
Ela vendeu ao José o seu nobre coração
E sem ele por perto, ela perdeu a alegria!



O José era emigrante e vivia na emigração
Veio de férias e mostrou-se muito simpático
E o coração da Maria nada prático
Apaixonou loucamente e perdeu a razão!



Aqui a Maria chorou toda a vida
Lá o José sonhou muito tempo
Encontrou uma loira de belo corpo
E começou a ter do amor a dúvida!



Deixou de escrever e sonhou novos sonhos
A Maria, esta continuou a sonhar toda a vida
Sem noticias, que da emigração é oferenda
Já velha continuou ela a ter mesmos sonhos!



João Furtado
Praia, 20 de Fevereiro de 2013