quarta-feira, 21 de outubro de 2015

CASA - TROVA ACROSTICAL

CASA/TROVA
 

C - Cá comigo grande dúvida
A - A gente tem que merece?
S - Sei que fica sempre dívida
A - A vida não é que parece...



João Pereira Correia Furtado
Praia, 21 de Outubro de 2015

MÔNICA NUNES PAMPLONA

MÔNICA NUNES PAMPLONA

M - Mônica querida trovadora
O - Obrigado amiga pela mensagem
N - Nela é o apelido da minha esposa
I  - Imaginei, tem quatro letras
C - Cá por mim daria uma TROVA
A - A ideia tornou-se neste poema!
                        
N - Naturalmente que estou feliz com o comentário
U - Um incentivo para continuar a mesclar estilos
N - Não prometo conseguir mais, mas tentarei
E - E se lá chegar em parte a ti, amiga, devo
S - Sem duvidas que é uma grande mentora.

P - Porque não tirar o "O" no terceiro
A - A TROVA ficará melhor certamente
M - Muito continuarei a aprender com todos
P - Pois sempre fui autodidata e deixei cedo,
L - Lidas da vida eram tantas, a escola
O - O desejo de aprender continuo comigo
N - Não superou a preguiça de regressar
A - Assim me tornei aluno de todos os amigos!

João Pereira Correia Furtado

Praia, 21 de Outubro de 2015

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A SONAMBULA DANÇARINA


Há meses que se sentia cansada, pouco tinha que fazer. Durante o dia dava pequenos passeios no jardim, quando lhe apetecia, bordava ou tocavam no histórico piano de cauda centenário da família. Uma das poucas mobílias trazidas de Portugal para a pequena Ilha da África por exigência da mãe.
Os ditos passeios deviam ser curtos e seguidos por dois ou mais serviçais que tinham como missão a proteção dela de todos os males inclusive dos mosquitos anófeles que tantos males causavam. Era preferido serem eles os serviçais picados por milhares de mosquitos que ela por uma única picada.
Ela sabia, ouvia que nas sanzalas, há poucos metros do colonial e pomposo edifício onde residia, diariamente, para passarem o monótono tempo noturno haviam danças diversas africanas trazidas do continente pelos serviçais, mas nunca, pelo menos assim julgava, tinha visto ou presenciado e muito menos participado.
De onde vinha tanta canseira? Se ela era uma das primeiras a deitar e das últimas a levantar? Se ela tomava o seu pequeno almoço no quarto e nunca via o sol, senão depois de se iniciar o declínio para a noite...
O mistério tornou-se mais incompreensível quando uma das paredes do quarto apareceu tal uma tela, onde os serviçais, negros e seminus e com os instrumentos rudimentares tocavam e as mulheres quase todas com minúsculas saias e mais nada vestidas dançavam a volta de uma linda e alva rapariga, vestida de azul-celeste e portadora de um xale cor de ouro nas mãos. Se não era ela, era uma perfeita clonagem fora do tempo...
Sem saber como a parede milagrosamente transformou-se na bela e artística tela, foi tomar o pequeno almoço na mesa com os pais, coisa que não fazia há anos e teve o cuidado de trancar a porta e levar com ela a chave. Quando regressou ao quarto, deu ela mesma um jeito no quarto e não deixou que nenhum serviçal entrasse.
Tentou por todos os meios guardar o segredo, mas a mudança tão repentina dos hábitos diários levantou suspeita e o pai, prudentemente, destacou dois serviçais de sua inteira confiança para segui-la... Segui-la para onde? Ela não ia a lado nenhum.
Onze  horas da noite. O silêncio na mansão até arrepiava,  nem um zumbido do mosquito, nada, tudo era apenas o silêncio... Um som do ranger da porta que se abria, era ela que saia e ia, com os olhos fechados. Parecia um zumbi, mas não tropeçava e nem caia. Levava um vestido azul-celeste e nos ombros um xale cor de ouro ou mel. Seguiam na os dois serviçais, ela não podia prever que era seguida. O destino era a sanzala onde o barulho era ensurdecedor e ela mal chegou tornou-se centro de tudo e ao lado tinha um jovem negro adornado de maneira diferente de todos... Além do adorno ele era altivo e com portes reais.
Dançaram ele e ela por mais de duas horas, ele pegou-a nas mãos e perderam na noite. Os dois serviçais seguiram-nos até ela regressar de braços dados com ele e os dois entraram no quarto dela. Ele pegou no pincel que trazia no bolso e deu mais uns retoques. Desenhou-se envolto ao xale que ela suportava.  Ela dormia num sono profundo.
Ela acordou para ir tomar o café, reparou no desenho e ela gostou não se lembrava de nada, mas gostou do desenho e do jovem... Abriu a porta, deparou com os dois serviçais, estavam imóveis no chão. Chamou o pai e este não conseguiu ver nenhum vestígio de crime, mandou enterrar os serviçais...
Ninguém jamais soube que ela era uma sonambula e ela jamais soube por que havia tanto mistério a sua volta.          


João Pereira Correia Furtado
Praia, 19 de Outubro de 2015

http://joaopcfurtado.blogspot.com

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

ROSEMARIE PARRA



R – Rico livro e cheio de acrósticos belos
O – Obra ímpar digno de uma leitura cuidadosa
S  - Sem dúvida que o leitor muito ganha
E  - E aprende com tanta qualidade e
M – Magia na arte de dedicatórias em poemas
A  - A minha vontade e tornar a ler este livro
R  - Regressarei e com calma e tempo
I   - Imaginarei e deleitarei a minha alma
E  - E insaciável mil vezes voltarei ao digno banquete...

P  - Parabéns à poetisa e mestre em acróstico
A  - Ao agrupar tão belos poemas e em livro
R  - Resolver oferecer aos comuns leitores
R  - Razões para ocupar tempo de maneira útil
A  - Apraz-me tornar alegremente a parabenizar....


PARABÉNS ROSEMARIE PARRA

João Pereira Correia Furtado
Praia, 16 de Outubro de 2015

TROVA OU ACRÓSTICO?

TROVA OU ACRÓSTICO?

Nuvem escura no céu
E começa a pingar água
Lá tem tribunal e eu réu
A saudade é pena e mágoa...


João P. C. Furtado
Praia, 16 de Outubro de 2015

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

UM VISITANTE INESPERADO

UM VISITANTE INESPERADO



Na véspera do dia marcado, eu ainda não tinha a certeza que iria sair no dia seguinte. Eu estava naquela de “eu vou” e o “eu não vou”. Levantei-me cedo e, estou a tornar-me cada vez mais metódico, e não é por causa da idade que teimosamente teima em se acrescentar, mas é porque a pessoa em quem eu comodamente deixava a missão de organizar tudo para mim, tem tido necessidade de embarcar com certa freqüência com o fim de se tratar e controlar o estado da saúde, a minha mulher.  Ela tem várias doenças e está em constante “check-up”.  Entre as doenças inclui o câncer.
Costume dizer a jeito de brincadeira, para lhe animar, que é mais fácil perguntar-lhe do que ela não sofre...
Bem voltemos à crônica, sempre fui devoto de Nossa Senhora e há certa de um ano fui convidado pela Sra. Emiliana para um presidium, ela apenas disse que precisava de mim, disse-me o local e a hora do encontro, Capela de Lém Ferreira, Sábado, às 07H30. Eu já tinha notado aqueles movimentos de pessoas sempre no mesmo dia e hora, não sabia do que se tratava, mas eu estava morto de curiosidade, e, ia ter a oportunidade de saber do que se tratava.  Não fui naquele sábado, já tinha outro compromisso, fui uma semana depois.  Vi a alegria no rosto dela e senti que a mesma já estava a pensar que perdeu o seu tempo ao convidar-me. Vi logo que era LEGIÃO DE MARIA, desde menino que eu sabia que ela existia. Pois aprendi a recitar “quem é esta que avança como aurora formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como o exército na hora da batalha?” entre o soneto de Bocage sobre a fábula da raposa e a uva verde e a fala dos animais de Júlio Dinis e mais alguns poemas de autores desconhecidos.
Entrei para a Legião, a minha mulher estava no exterior em... Imaginem... “Check-up”. Assim que ela chegou tive o trabalho de levá-la e hoje estamos os dois no Presidium de Nossa Senhora de Carmo de Lém Ferreira...  Devia ser de Fátima, mas a Nossa Senhora é a mesma.

Chegou a minha vez de iniciar a Oração e fazer a leitura, fiz o melhor que pude entre a ansiedade e o nervosismo...

No fim da reunião o Presidente, Irmão José da Lomba disse-me que estava a pensar em algo para mim. Hoje sei que é ficar temporariamente “presidente” enquanto ele sairia de férias e tratamento em Portugal. Não pude negar o pedido, sei que não estou preparado, mas não tive coragem de dizer não.
Já presidi algumas reuniões, claro com ajuda de todos os membros, eu o mais novo do grupo com exceção da minha mulher que também se encontra ausente. Já presenciei uma reunião de Régia e tudo me parece aliciante e belo no projeto de Frank Duff. Brevemente irei fazer a minha primeira visita à um Presidium na Achada Grande Trás, mais um passo em frente.

Já sabíamos do passeio legionário de este ano na Paróquia de S. João Batista e na localidade do mesmo nome. Mas na Régia recebemos a informação que iria ser na mesma Paróquia, mas a localidade foi transferida para Santa Ana. Uma Santa muito respeitada em S. Tomé onde a tradição dá um valor enorme aos avôs e sendo Santa Ana a Avó humana de Jesus, ela é elevada a “SANTANA GRANDE”.


Resolve na nossa reunião semanal, sábado, 04 de Julho, que devia ir ao passeio, seria este ou jamais iria como aconteceu no ano passado. Entre no grupo uma semana antes do passeio de 2014, não achei que devia participar num passeio, estando a minha mulher ausente.
Domingo, cinco de Julho de 2015, Cabo Verde em festa, 40 anos de independência e nós íamos fazer a nossa festa de 2035 anos de Maria, Nossa Senhora, mais anos menos anos.
Às 08H30 cheguei ao ponto combinado. Encontrei o carro do outro Presidium de Lém Ferreira cheio e o nosso? Estava lá, mas contei, éramos apenas quatro. Tenho no espírito um pouco de S. Tomé, senti um pouco tremido a participação do nosso grupo. A desilusão começa a aparecer... E comecei a pensar que não fui suficientemente eloqüente para convencer os membros a participar. Chega a Irmã Narcisa e pergunta pelos que faltam. Resolve ir chamar o Irmão Lucio e regressa ela e ele e a família. Irmã Lurdes e a neta de dez anos. Menos mal, pouco depois chega uma das irmãs que desculpara e afirmara não poder ir. Senti-me privilegiado com esta surpresa. Mas faltava a pessoa mais importante, a Irmã Celeste tesoureira, sem ela nada feito, é a Irmã do cofre, mas ela chega um pouco depois. Que alivio... O Irmão Luís Vicente não confirmara, apesar da insistência, compreendi, ele vinha de uma longa viagem. Ainda estava a acertar o relógio para o de Cabo Verde.


Partimos rumo ao ponto combinado pela Régia, arredores do Mercado de Sucupira. Ainda tivemos a oportunidade de apanhar uma Irmã do outro Presidium de Lém Ferreira, ela atrasou-se um pouco e regressava ao lar com desilusão no rosto. À titulo de brincadeira dê-lhe ordem para mudar imediatamente para o nosso Presidium que nós nunca esqueceríamos dela. Serviu para todos rirem descontraidamente.
Chegamos ao ponto. Vários Hiaces estavam ai e algumas pessoas que ainda não tinham como deslocarem. O nosso carro encheu rapidamente e “expulsamos” a Irmã que demos a boleia para o grupo dela, o Hiace do outro grupo estava lá.  Fizemos pequenas compras de última hora e partimos, ao todo seis Hiaces... No nosso rezamos um terço e cantamos, a Irmã Emiliana presidiu o terço. O momento de Fé era atrapalhado por curtos momentos de curiosidade, era a minha primeira ida a Santa Ana. Eu não era único, a menina de dez anos, neta dos irmãos Lúcio e Lourdes queria saber o nome de todos os aglomerados habitacionais por onde passávamos.
A estrada não era das melhores, depois de o alcatrão tomar conta das antigas calçadas de “paralelos em basáltico”, andarmos numa estrada destas passou a ser um sacrifício, mas só víamos a notar no regresso e nem tanto.   
 
Chegamos mesmo à tempo. A missa ia começar, o Senhor Padre, um Franciscano, que nos convidou, estava a ensaiar os cânticos da missa e por fim levantou-se e deu-nos boas vindas. Ele Informou-nos que de momento era único, os outros padres por contingência humana tiveram que ausentar, um é moçambicano e tinha o passaporte caducado, outros, por outras razões ausentaram.  

“Não há mal que vem sozinho” não sei que o disse pela primeira vez, mas acontece com certa freqüência, que julgo confirmada a tese. Ele tinha entalado um dedo na porta do carro... Dormiu mal e chegou tarde, depois de ter que estacionar a berma da estrada para descansar um pouco, pois corria o risco de dormir ao volante... A missa ia ter cânticos, mas sem o piano, pois sozinho não podia presidir a cerimônia e tocar o piano... Era incapaz de fazer o milagre da duplicação e houve o milagre, o presidente da Régia, Irmão Juvenal Tavares é um nato músico a tocar e a cantar... Embora não fazia ainda parte da cena, e a dançar. Os cânticos tiveram acompanhamento do piano.
Entra a visita dos visitantes. Uma visita inesperada. O senhor Manuel, ia dentro de um caixão e como manda a tradição o afilhado mais novo ia à frente de lenço branco um uma CRUZ DE CRISTO envolto num pano de mesma cor. Ele esteve na agonia cerca de três meses e morreu precisamente na véspera da nossa visita, isto vim, a saber, depois pela irmã Filoca na partilha da palavra semanal.
Teve a sua missa de corpo presente e soubemos pelo padre que comungou duas semanas antes. Merecia estar presente e ser a nossa visita.
Terminou a missa, mas o senhor Manuel continuou deitado dentro do seu caixão à espera do filho emigrante... Que fazer?   Rezar por ele, e, o passeio de alegria transformou-se num ato de misericórdia fúnebre.    O irreverente Irmão Jhonsa fez a abertura da cerimônia com terço, teve a ajuda do Irmão Domingos.
Fomos recebidos de CUZ-CUZ COM LEITE, servimos, não chegou para todos, mas todos se sentiram saciados e agradecidos.
Cada presidium tinha seu plano de almoço, o nosso não tinha e improvisamos e juntamos com alguns na mesma situação e com os nossos anfitriões. Foi lindo.  Depois do almoço tiramos algumas fotografias. Perguntei ao Irmão Juvenal o que era a próxima atividade. A resposta foi:
-Com a presença do senhor Manuel o ambiente não é propicio...


-Se o senhor Manuel escolheu visitar-nos é porque assim quis a nossa senhora – o Irmão Domingos disse e levantou-se. Fomos rezar de novo e o Irmão Juvenal fez uma reflexão da vida e da morte que o momento exigia.
Fiquei sem saber se o esperado filho do Senhor Manuel chegou ou não.  Pois o cortejo fúnebre seguiu para sua última morada. Segundo soube, muito distante da localidade de Santa Ana.
Esperamos o tempo necessário de respeito que o senhor Manuel e a família merecia afastassem à caminho do destino final do nosso corpo e voltamos para a Nossa Mãe na Casa feita em honra da Mãe da Nossa Mãe, desculpem o pleonasmo...
Que linda festa. Lembrei-me da minha juventude na Igreja em S. Tomé e Príncipe.  Os cânticos podem se transformar é louvor e alegria e em vários estilos de musicas, desde o nosso Funana até ao ritmo popular português.  Cada um com o seu talento que fez render o máximo. Se fosse um concurso tradicional da cultura, não sei quem ficaria em primeiro lugar.... O Irreverente Jhonsa ou o animador Domingos ou o completo Juvenal ou um jovem que vi pela primeira vez ou uma das irmãs de 70 e tais anos. Não era preocupante, tinha a minha medalha, o pior de todos a dançar e a cantar. Mas não guardei meu péssimo talento, com medo das gargalhadas que provadamente provoquei...
Tivemos a preciosa ajuda de Irmã Missionária para nos animar. O tempo voou e chegou a...



Hora de regresso e onde está o fundador da Legião em Santa Ana, com ajuda do muitíssimo conhecido Padre Campos? O Senhor Nicolau.  As “nossas anfitriãs nos informaram que naquele dia ele não pode descer...” Se ele não vem a nós, vamos nós a ele.
Depois das últimas fotografias da Família da Legião, fomos conhecer o ancião de oitenta anos e o Irmão Juvenal fez de jornalista e eu? Porque não o “câmara-man” improvisando?  Até um telemóvel se transformou num microfone.
Restam apenas o abraço, a vontade de regressar de novo, não faltou o convite, e o regresso à casa... Cheios de saudade. 



João Pereira Correia Furtado
Praia, 06 de Julho de 2015

http://joaopcfurtado.blogspot.com

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A MINHA VIDA A TI ENTREGO MARIA





A MINHA VIDA A TI ENTREGO MARIA


A minha vida a Ti entrego Maria
Mãe do Cristo Senhor meu Salvador
Quer seja de noite que seja de dia
Tudo que quero é tua ajuda e amor

Sou teu filho também, eu o pecador
Que rezo o rosário com muita alegria
A minha vida a Ti entrego Maria
Mãe do Cristo Senhor meu Salvador


Digo com toda convicção e muito ardor
Sempre que da minha boca sai um Ave Maria
É de coração humilde e com todo o amor
A minha vida a Ti entrego Maria
Mãe do Cristo Senhor meu Salvador

João Pereira Correia Furtado
Praia, 27 de Setembro de 2015