sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A TRINDADE NO NATAL DE 2012


A TRINDADE NO NATAL DE 2012

Se Deus-Pai à Terra quisesse visitar
Neste século de dor e abandono
Não viria na Pobre e Santa Família
Que muito teve para dar e amar
Ao Menino deitado e no sono
Certamente abandonado e sem alegria
Na esquina do teu bairro a chorar
Desamparado e sem humano dono
O Deus-Menino  e Filho estaria

E ele e tu e eu, cegos pelos prazeres
Nesta vida egoísta dos humanos
Não repararíamos no Deus-Espírito
Em forma de Pomba triste num canto
Por ver tantas guerras e tantos danos
Feitos por nós… Estes ditos pensadores!

João Furtado
Praia, 07 de Dezembro de 2012
http://joaopcfurtado.blogspot.com

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O MERCADO DA PRAIA


O MERCADO DA PRAIA

O Mercado da Praia
É mais que um mercado
Tem bebé deitado
No berço que é pedra fria
Num reparador sono dormindo
Enquanto a mãe continua vendendo
Para o sorriso e a alegria
Dos irmãos ainda crianças
Cheios de imaginações e crenças
Brincam atropelando fregueses e revendedeiras…
Revendedeiras que se transformam
De tantos juntas viverem
Numa enorme família
Com seus amores e seus ciúmes….

João Furtado
Praia, 05 de Dezembro de 2012
http://joaopcfurtado.blogspot.com

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

DE ARLETE PARA MIM E O MEU PARA A ARLETE



A minha amiga Arlete
Resolveu fazer-me um poema
Hoje escolheu PARABENS como tema
E eu gostei e fiquei muito ciente:

Parabéns João Furtado

P arabens neste dia te venho dar
A migo, irmão, parceiro de letras
R aras as amizades verdadeiras
A rlete Piedade e João Furtado
B ons sócios e amigos fraternos
E s o irmão que me faltou na vida
N ascido em linda terra distante
S incero e puro coração diamante!

J amais pensei encontrar um irmão
O mais diferente possivel de mim
A mbiente e cultura da lusofonia
O amigo leal que me dá alegria

F uturo nosso, sempre juntos
U nidos em torno da literatura
R adiante com a nossa parceria
T raduzida em obras de magia
A migo, que tenhas neste dia
D oses imensas de muita alegria
O s amigos e familia a teu lado!

Arlete Piedade
E eu, pobre de mim
Respondi aquele belo poema
Com este pequeno poema
Em acróstico também é assim...





ARLETE PIEDADE

A  A alegria vem em pequenos gestos…
R  Radiante fiquei com o teu acróstico
L  Lindo e bem formatado, amiga
E  E muito agradeço, sinceramente
T  Tanta gentileza da tua parte
E  Escreveste com coração e li com emoção!

P  Palavras me faltam para dizer
I   Imagina só, uma única palavra
E  Eu… Senti os meus olhos molhados
D  Dizer apenas obrigado com que palavra?
A  Amiga, tu és uma irmã, tu sabes
D  Divertimos e escrevemos juntos
E  E do esforço… Resultou esta Amizade, obrigado!

Praia, 29 de Novembro de 2012
João Furtado

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

PREGÕES NO MERCADO



PREGÕES NO MERCADO
VENDEDEIRA
Freguês compre, compre limões
São baratos, apenas vinte escudos
São bons e são quase dados
Freguês compre limões por tostões!
PASTOR
Tu vendes e vendes bem os limões
Mas eu vendo a Paz, queres a PAZ
Veja e compra se és digna e capaz…
Quero ver a Paz em todos os corações!
 
RAPAZ
Quero passar e não consigo
Cuidado com os pés, posso pisá-los
Pouco me importa se fizer “galos”
Podem sair-me da frente… Olha perigo!
MENINA
Agua, querem agua, agua fresca
São cinco escudos por copo…
Compra me ajuda, olha meu corpo
Tão magro e franzido… nem serve para isca!
MULTIDÃO
Pega… Pega é aquele o ladrão
Eu vi-o ele roubou aquela mulher
Coitada nem deu para o deter…
É aquele que se disfarça na multidão!

João Furtado
Praia, 22 de Novembro de 2012
http://joaopcfurtado.blogspot.com

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

QUANDO O RELÓGIO PARAVA



QUANDO O RELÓGIO PARAVA

S  Sinto-me nostálgico e a recordação
A  Aparece para tomar conta do meu coração
N  Não sei porque, mas tudo é forte razão
T  Tanto para viajar no passado imaginado…
O  O relógio da torre… Devia ser uma igreja…

A  A hora era pontualmente anunciada e animava a cidade
N No meio… Apenas um toque, um sonoro e belo
T Toque… Era tal… E meia… Era o ritmo pachorrento da cidade…
O O silêncio, naquele dia o relógio não tocou
N Ninguém esperava tal acontecimento
I Infinitamente acostumados desde sempre
O O relógio do pulso dos afortunados era mera decoração…
  
D Duvido que alguém soubesse o que aconteceu
O O relógio talvez precisasse apenas da corda…

P Parada, a cidade de Santo António do Príncipe  
R Restava silenciosa e triste e eu, parado e fixo
I Insistia a ver os ponteiros, o menor no 2 e o maior no 4
N Não entendia que era a prova do crime
C Certamente ele estagnou as duas e vinte
I Indicadas pelos imóveis ponteiros…
P Por algumas horas a cidade parecia morta
E Enfim… Por fim… O Frank, o maluco e deu a vida ao relógio…  

João Furtado
Praia, 19 de Novembro de 2012

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

PRÍNCIPE, MINHA ILHA, MINHA INFÂNCIA

PRÍNCIPE, MINHA ILHA, MINHA INFÂNCIA

P  Procuro palavras, mas faltam-me letras para as formar
R  Recorro a longínqua e perdida memoria
I  Infância minha...Outros tempos… lindos tempos
N  Nada de importância diria… Mas saudosa
C  Cidade pequena, população amena
I  Isabel, senhor Pedro Sapateiro, Nha Fidja…Com os pasteis…
P Padaria da Nova Cuba, onde quase nu
E E descalço ia vezes sem conta comprar pão…

M  Marginal molhada da água salgada transbordando do mar
I   Imensa recordação do ambienta quase familiar
N  -Não é o filho do João Branco…, Todos conheciam todos
H   Hoje longe estou… Será que tudo continua na mesma?
A   A pequena cidade entre dois riachos… S. António do Príncipe!

I    Ir e voltar das aulas na escola improvisada de antiga igreja
L   Longe da era do computador ou televisão ou consolas
H  Horas e horas pachorrentamente a brincar na praça principal
A  A corrida e o esconde, esconde… A cabra cega… Esperando a hora do recolher… 

João Furtado
Praia, 16 de Novembro de 2012
http://joaopcfurtado.blogspot.com