domingo, 26 de outubro de 2014

ERA ASSIM A CARTA

ERA ASSIM A CARTA

Cá a carta começava diferente e tinha o seu ritual
Ao sabor do que era destinado e era o fim
Raros eram os de amor e de namorados
Ter pujança física e destemido no trabalhar
A terra era o caminho mais certo de ser piscado o olho…

Com o decorrer de trabalho o mais forte
Apreciava com determinação os olhares discretos delas
Rondavam e ofereciam agua e davam sinais
Te desejo para formarmos a família
A declaração muda era lida nos olhos

Claro que podia dar em pedidos de casamento
As vezes, maioria das vezes, num juntar dos trapos
Recorria-se aos momentos isolados para acerto
Tento três pequenas pedrinhas como a primeira carta
A rapariga atirava-as ao rapaz e dizia “te quero… te quero… te quero…”

Com isto podia surgir pedido de casamento ou não
As vezes nem no juntar de trapos dava
Rancoroso algum apaixonado secreto perdido na disputa
Tomava atitude estrema de “roubar” a rapariga
A ação era irreversível, ela seria do “ladrão” eternamente!

Cartas existiam e eram raros porque poucos escreviam
A ocupação nas cartas mais sérias e mais necessárias
Restavam pouco tempo para escritas de cartas de amor
Tratando-se de escreverem e lerem para outro alguém
A carta muitas vezes era escrita e lida pelo mesmo escritor

Com o ritual de “pequei nesta pena de ouro e meu bem
A sangrar meu pobre e nobre e doloroso coração
Retirei dele o sangue que transformei em tinta…”
Talvez o escritor das cartas se inspirou na “última ceia”
Ao ser ele muitas vezes o leitor e provavelmente o namorado…

Carta de saudade era mais frequente e chato para o escritor
“Aqui estou eu rodeado de Fulano e Beltrano e Sicrano e
Recorro a esta saudosa pena para enviar cumprimentos
Tamanhos para Fulano e Beltrano e Sicrano nome por nome….”
Até terminar com “…E para aqueles que perguntaram por mim…”

Claro esta que uma carta tem o escritor e o leitor e a mensagem
A infelicidade é que naquele tempo poucos sabiam ler e escrever
Recorrer a inspiração era necessária tanto para um como para outro
Ter sempre na cabeça que no acto da leitura da carta recebida
As pessoas presentes, sejam que forem seus nomes estão no carta…

Como não quero ser historiador ou antropólogo ou estudioso
Apenas como poeta que nem sei também se sou… Enfim
Recordo apenas a mais um estilo que é a carta da morte
“Tamanha é a dor e o pesar que me obriga tirar do coração
A tinta sangrada para te informar que o fulano vive no paraíso…


Com tudo isto quero terminar de falar das cartas nesta crónica
As mil vezes vividas na Ilha do Príncipe como escritor e leitor
Respeitável e mais solicitado pelos emigrantes da fome
Tive que fazer mil P.S. sempre que aparecia e eu já no fim
Alguém conhecido “Não esqueça de cumprimentar o fulano…

Com isto dispensava uma tristeza desnecessária…
A distância pode criar muitos esquecimentos mais também
Recordações e saudades criam e quando resta apenas a esperança
Tamanha seria minha crueldade tirar daqueles que são
As origens minhas que tanto orgulho me davam…

João Pereira Correia Furtado
Praia, 26 de Outubro de 2014
http://joaopcfurtado.blogspot.com
   

sábado, 25 de outubro de 2014

A CARTA PARA GUARDA-JÓIAS

A CARTA PARA GUARDA-JÓIAS

Querida Amor

Vou te escrever esta carta para te dizer que não entendo porque queres que te escreva uma carta. Há anos que a memória já deixou de registar escrevi-te muitas cartas, milhares delas, estão todas fechadas tal como tas entreguei. Guardaste-as todas no teu guarda-jóias, ao abono da verdade, de guarda-jóias só têm o nome e as minhas fechadas e virgens cartas de amor. Cartas que tive que escreve-las e decorar tudo que nelas escrevi, pois querias saber o que estavam escritas sem as abrir. Graças a Deus quase todas eram de pequenos poemas de amor. Embora o “amor” seja uma palavra apenas e com quatro letras tem muito que se imaginar e dizer sobre ele alguns dos poemas são tão ou quase iguais aos anteriores, não era difícil “ler” uma carta fechada. Naquele tempo compreendia, éramos namorados e jovens, tínhamos o tempo e os sonhos mil e nada parecia terminar. Víamos os nossos entes queridos envelhecidos, mas pensávamos que seriamos eternos jovens e éramos os donos do tempo.
Hoje é diferente, muito diferente. A poesia dos jovens apaixonados desapareceu com a idade, as palavras perderam os floreados que nunca viste, pois as cartas que te enviei continuam guardadas no guarda-jóias, virgens e seladas. Hoje existe a internet, onde vais sempre que o tempo, o tempo escasso que tens, te permitir e podemos “chatar” para não chatearmos com a vida e a velhice. Tu no teu portátil ou “Iped” ou “tablet” e eu no meu, ambos na mesma sala e muitas vezes na mesma poltrona. Num silêncio total e absoluto como se de dois mudos nos tratássemos. Falamos um com o outro, contamos piadas e falamos dos nossos projectos… Uns realizáveis, outros apenas sonháveis, como o meu de ganhar no lotaria e comprar-te muitas jóias para colocares no guarda-jóias e tu sempre respondes a mesma coisa, não vou repetir, pois sei que vais me dizer de novo pelo menos mil vezes mais hoje.
Tudo está diferente, vejo-te na câmara e escrevo que és linda e tu me respondes, as vezes, te piso, estamos lado a lado e falamos no “Skipe”… Não escreves, gritas -Estas sempre a pisar-me! Sinto-me feliz e peço-te desculpa, mas como estou feliz, tudo parece falso, e com raiva sai uns impropérios e eu feliz por acabar de saber que ainda falas, não estás muda… Não respondo, sei que tens razão. O que não tens razão é no:
-Tu já não me amas, há muito que não recebo nem uma carta tua!
As vezes acontecem mais uns insólitos, o som característico que alguém enviou-me uma mensagem. O ciúme é humano, tu sentes o mesmo que eu sinto quando acontece o contrário, seres tu a receberes aquele som. Actuamos de maneira diferente, mas o ciúme deve ser igual.
No meu caso sempre pergunto para que queres que te envie uma carta? Alias escrevo no “chat” ou melhor “chato” chateado. E tu respondes que é para colocares no guarda-jóias. E eu ingénuo te pergunto porque não colocas jóias no guarda-jóias e tu me respondes que as tuas jóias sãos as cartas de amor que permanecem invioladas e virgens que te escrevo. Imagino que um dia hás de as ler, mas não sei quando será.
Quando estou fora ou tu estás fora de casa ou de país seja por motivos de trabalho ou de férias ou, infelizmente começa a ser frequente, de saúde falamos todos os dias, uma, duas, três vezes ou mais. Aliás sinto falta de ti sempre que estivermos separados há mais de dois metros de distância, mas nada justifica escrever-te cartas de amor cheios de floreados, se elas são para serem guardadas seladas… Ou talvez exista? Sim prometo vou te escrever sempre que quiser te oferecer uma jóia.
Ao terminar esta carta vou te dizer que te amo e que vou te escrever uma carta de amor em poesia. Prometo e juro que vou me inspirar e te fazer um poema.
Sei que é uma promessa que tu nunca saberás que eu fiz, pois sei que esta será mais uma jóia no teu guarda-jóias cheio de cartas de amor por abrir.

PS- Estava quase a esquecer que tu sempre exiges com eu coloque na carta a data, o local onde foi feito e o meu nome, não entendo porque tenho que por o nome… Enfim… Esta carta foi escrita por mim, João Furtado no dia 25 de Outubro de 2014, em Lem Ferreira, cidade da Praia e destina-se a minha querida que adora receber cartas para as guardar no guarda-jóias.

   
João P.C. Furtado
http://joaopcfurtado.blogspot.com

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

UMA UNIVERSIDADE JEAN PIAGET




Devo ou não devo escrever hoje
Eis a questão… Sobre Jean Piaget…

Vou escrever um poema
E não tenho nada imaginado
Repentinamente uma amiga,
Amiga da sua prima me pediu
 
Eu nem sei o nome da prima
Lembro-me que a minha amiga
Ia dizer-me mas não deixei-a terminar
Sempre impulsivo falei de mais
Agora… Falar de Jean Piaget
 
Como conseguir tal feito?
O homem é mais que a escola
Reparei que até as fotos dele
Recaem direitos de autor, meu Deus
Ele disse que o professor não ensina
Imaginem só a enorme frase – É professor
Aquele que desperta no aluno a vontade de aprender
 
Para mim isto é língua chinesa mas
Ainda tive a coragem de vasculhar
Resolvi ir até o mundo virtual
Ai se encontra tudo actualmente

A vida hoje é real e virtual numa mistura sagrada

Primeiro vi que ele nasceu e morreu
Rica lição, como todos nós é ele
Investiguei mais um pouco, ele sabia muito
Mas como pode um homem saber tanto
Aqui eu, só sei que sou burro por julgar que ele é….

     UMA UNIVERSIDADE JEAN PIAGET

Praia, 24 de Outubro de 2014
João Pereira Correia Furtado
http://joaopcfurtado.blogspot.com

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

ESTRELA DE PRATA COM VOZES DE CABO VERDE




ESTRELA DOURADA PARA ISABEL CRISTINA
ESTRELA PRATEADA PARA JOAO
ESTRELA BRONZEADA PARA MA. IRACI
PARABENIZANDO E AGRADECENDO AS PARTICIPACOES EXCELENTES DE TODOS



SEMA LOPI (SEMA LOPES)




S - Sodadi di Sema Lopi
E - Ê si qui ê bida, 
M - Morti leba bu korpo
A - Alma fika bibo na bu funana!


L - Lembransa bu dexa sem manha
O - Oh mundo… Nu pára i nu reza
P - Pà alma di SEMA LOPI
I - I nu desejal un Paz na Glória di Déus!




S - Sema Lopes deixas-te saudades
E - É assim a vida, grande musico… 
M – Morte levou o teu corpo
A - A alma, esta continua viva no teu funana…



L - Lembranças tuas deixaste e são muitas
O - Oh Mundo… Paremos e rezemos
P - Para a Alma do Sema Lopes
E - E Paz a sua alma na Glória de Deus
S - Sentidas condolências a família e Cabo Verde! 

João Furtado
Praia, 19 de Junho de 2013
http://joaopcfurtado.blogspot.com
CESARIA EVORA

C Cabo Verde Orgulhosamente está de luto 
E E não é para menos certamente
S Sua... Uma das mais nobres filhas...
A A morte levou para o descanso eterno
R Rezemos pela sua alma
I Ilustre e sublime e digno
A A alma que pela Voz mostrou Cabo Verde ao mundo...

E Ela foi e será a Bandeira desta Nação
V Verdadeiramente grande no povo exemplar...
O O Mundo olha para estas minúsculas Ilhas com...
R Respeito, graças a ti Cize e aos outros filhos Das Ilhas 
A As tuas mornas e coladeiras são eternas... E tu..., viva nelas!

João Furtado

18 de Dezembro de 2011

GALA DE MUSICA BANA

G Grande Bana, você merece
A A grande homenagem atribuída
L Linda se tornou a Gala por ti
A Aniversariante num dia tão especial !

D De repente a Gala se tornou emoção 
E E as lagrimas correram nas faces dos humanos....

M Muito por causa de ti, Monstro da Musica
U Um homem cinquentenário na arte e carreira
S Sempre forte na voz fibrosa, masculina e
I Impar no mundo e na terra Cabo-Verdiana
C Criança de São Vicente e homem do mundo
A As velas, oitentas, apagadas te tragam saúde, Bana!


Praia, 11 de Março de 2012

João Furtado